DQA - UMA ANÁLISE IMPORTANTE - ESTOU VELHO PARA O ROTARY? - por Chico Schlabitz - Rotary Club de Brasília-5 de Dezembro - Governador 2002-2003, Distrito 4530
Ele estaria com 115 anos. Ele, quem?
O pai Emilio, um dos fundadores do Rotary Club de Porto Alegre – Norte, foi o Representante do Governador para a fundação do Rotary Club de Guaíba, fundado em 10 de dezembro de 1956, quando a região ainda fazia parte do Distrito 467. Hoje, o clube está no Distrito 4680, possuindo 38 associados, incluindo os honorários, o mais antigo com cerca de 50 anos de vida rotária.
E aqui vem uma lembrança que não esqueço. O Vati (pronúncia fati), como eu me referia ao meu pai, disse numa ocasião que um governador o havia designado como Representante de Governador, para fundar um clube de Rotary na região do bairro São João, um local próximo ao endereço do negócio dele há época. Ele comentou que, quando chegou em maio/junho, o líder do Distrito perguntou sobre o seu andamento e ele comentou que o clube não estava pronto e teria que investir muito tempo ainda para deixar a nova agremiação em condições de caminhar sozinha.
Obviamente, o Governador não gostou, mas o rotariano de cerca de 60 anos de vida e 15 de Rotary, bateu pé e não deixou acontecer a fundação do novo Rotary Club. Cerca de um ano após, em 15 de junho 1967, o Rotary Club de Porto Alegre – São João decolou e hoje com 47 associados representativos e honorários, conta com uma história de fazer inveja a uma grande maioria de clubes no Brasil, tendo indicado vários governadores para o Distrito 467/4670.
E por qual motivo registro essa mensagem?
Tenho visto nos últimos anos uma desenfreada corrida realizada por governadores para a criação e o estabelecimento de novos Rotary Clubs.
Está errado? Está certo? Não consigo opinar.
Entretanto, o que percebo são alguns comentários dando conta de que os rotarianos do novo clube desconheciam o fato de que teriam que pagar per capitas, entre outros compromissos.
Entretanto, a documentação de orientação básica – Guia para Formação de Novos Rotary Clubs – comenta pelo menos em dois parágrafos sobre essas responsabilidades que recaem em cada um que vier a se engajar ao universo rotário. E daí, na sequência vem algumas perguntas.
Um clube novo com 20 pessoas com muitas desconhecendo sobre as suas obrigações pecuniárias crescerá?
Perdendo associados, estará animado para atrair novos associados?
E as dívidas que ficaram serão saldadas por quem?
E as ações para melhoria das comunidades de influência como ficam?
As pessoas que saem nessa situação, falam bem ou falam mal da organização como um todo?
Um clube formado com 20 associados na beirada final do semestre, a partir de 1º de janeiro / 1º de julho seguinte, terá que pagar como adiantamento ao Rotary International 20 cotas semestrais (20 x 35,50 USD x valor do dólar em Reais) correspondente a cerca de R$3.500,00 ao câmbio rotário de maio de 2022. Será que os novos membros estão preparados?
E essas são perguntas que no primeiro momento recaem como fatores negativos, que devem ser respondidas de forma positiva.
Uma saída para tornarmos o Rotary fortalecido é trabalharmos com uma visão de longo prazo, com pessoas imbuídas na formação de Rotary Clubs e Rotaract Clubs no longo prazo, independente de governança anual. Portanto, enxergamos aí um mínimo de fundamento para o estabelecimento de plano estratégico e se não for de interesse, pelo menos, de um plano de ação, que enxergue a expansão como meio para mais benefícios à sociedade-precisada.
O gráfico acima exibe uma panorama hipotético de crescimento com solidez (Distrito Hipótese DOIS) e de crescimento com solavancos (Distrito Hipótese UM). A o crescimento do Distrito Hipótese DOIS leva-nos a concluir que há um plano de crescimento de desenvolvimento de Rotary no longo prazo com uma visão de sustentabilidade.
HIPÓTESES DE CRESCIMENTO
Outra saída, é um trabalho de conscientização continuada para o fortalecimento dos Rotary Clubs, do meu, do seu, enfim, dos nossos. E aqui, algo que enxergamos como fundamental é a visita oficial da governadoria, no sentido de ser investido tempo para levantamento de dados e entrega de orientação competente. A visita oficial contempla diversas ações, mas duas são fundamentais:
- Reunião com Presidente/Secretário/Tesoureiro com dados na mesa; e
- Reunião em assembleia com todos os rotarianos, pelos menos com 70% de presença.
É dessa forma que o engajamento se torna mais fortalecido, com a governadoria respeitando cada agremiação bem como todo rotariano e rotaractiano. E ao comentar sobre Rotaract, sugerimos que as visitas oficiais sejam igualmente estabelecidas para os Rotaract Clubs, por que não? É claro, juntamente com o RDR, mas clube a clube. Nessa primeira ideia, penso que haverá aumento do engajamento.
Outra reflexão que deixamos, refere-se à premiação em nível de Brasil. Atualmente, temos uma premiação, criada em nosso país, que destaca o distrito que mais cresceu contado o período de 1º de julho e 30 de junho do ano seguinte.
Então deixamos uma pergunta. Será que não seria mais interessante dedicarmos o troféu ao Distrito brasileiro que mais cresceu, porém com pelo menos um ano de defasagem? Essa é uma forma de ser reconhecido o crescimento com solidez, na base adequada de estabelecimento de Rotary Clubs e de Rotaract Clubs, porque vemos muitas situações de queda drástica de número de associados com fechamento de clubes recém criados no ano seguinte, em geral no segundo semestre do ano rotário.
São apenas perguntas que ficam para reflexão.
Outra coisa que deixamos para pensamento é o estabelecimento cobrança inicial de per capita (RI | Revista | Distrital) decorrido no mínimo 12 meses após o estabelecimento da nova agremiação. Essa medida, pode ser considerada facilmente estabelecida pelos distritos, tomada pelo Conselho da Revista Rotary Brasil e decidida por meio de uma decisão do Conselho Diretor do Rotary.
Para finalizar, muito gostaríamos de dizer que já vimos ao nosso redor variações abruptas, que geram curta felicidade e longa frustração.






